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27 agosto 2015

Li e recomendo: "Perto do coração selvagem", de Clarice Lispector.




Como agora tenho mais tempo, decidi ler os romances de Clarice Lispector na sequência cronológica. Li os contos da autora, mas os romances exigem muito mais a atenção do leitor e, para conduzir essa viagem a que me propus, estou lendo Clarice na Cabeceira: romances, organização de José Castello.

Terminei a leitura do primeiro romance de Clarice, escrito em 1942, quando ela tinha 22 anos: Perto do coração selvagem.

O romance exige muita concentração do leitor porque a história não é linear, alterna passado e presente, e também, a todo momento, a narrativa é interrompida pelos pensamentos, sentimentos e dúvidas da protagonista através do discurso indireto livre.

Assim, o narrador onisciente de terceira pessoa tenta contar a história de Joana, uma pessoa que, muito cedo, perdeu os pais, foi morar com os tios e, depois, em um internato. Apaixonou-se por um professor, casou-se com Otávio e arranjou um amante sem nome, mas, perdida em seu mundo interior, teve sempre a solidão como companheira.

Apesar da pouca idade, Clarice criou um narrador singular pois está limitado às percepções de Joana. Assim como ela, ele não consegue contar toda a história porque também se perde no interior da personagem ao tentar entender a “coisa” que está dentro do ser.

Muito, muito interessante esse romance inicial, principalmente porque Clarice estabelece também um diálogo com o leitor, que começa a refletir sobre a coisa que também tem dentro de si...

Abaixo a epígrafe e um trecho importante do livro: