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22 outubro 2015

Li e recomendo: "A viuvinha" (1857), de José de Alencar.



A viuvinha

Jorge era um moço jovem e rico que após a morte de seu pai teve a fortuna controlada pelo fiel amigo do falecido, Sr. Almeida. Assim que completou dezoito anos pôde ele controlar toda a sua herança, mas seduzido pela vida na corte, desperdiçou muito do seu dinheiro com mulheres, jogos e etc.

Nessas circunstâncias conheceu Carolina, uma moça que vivia apenas com sua mãe, D. Maria, de uma simples família e ali Jorge conheceu sua redenção. O romance que iniciou com a menina o tirou e salvou por completo das loucuras da vida que vivia.

Em cerca de dois meses o casamento foi marcado, e assim na véspera do grande dia o Sr. Almeida esteve com Jorge. Fazia muito gosto do casamento, mas o que trazia ali era para deixar o rapaz a par de que toda sua riqueza havia se dissipado e que hoje o que restava era a miséria e as dívidas que sujavam o nome do seu falecido pai.

Tais novidades deixaram Jorge perplexo e assim ele passou a noite em claro, não pela ansiedade do casamento como ocorrera com Carolina, mas sim pela preocupação de que não poderia abandonar sua jovem noiva e deixá-la falada por um casamento cancelado nem podia casar-se e condená-la à miséria em que ele se encontrava agora.

Finalmente chegou o momento do casamento. Casaram-se, Carolina com extrema alegria e Jorge com a palidez da preocupação. Após o casamento enquanto estavam ali os poucos e íntimos convidados, Jorge afirmou ao Sr. Almeida que tinha a solução. 

Carolina esperava por ele no quarto perfeitamente preparado para receber para sempre o casal. Mas Jorge, ainda preocupado, criava coragem de entrar no quarto. Por fim o fez, falou à esposa que seria necessário que ela o perdoasse e ela, firme no amor que tinham um pelo outro, de tudo o perdoou. Jorge então lhe deu um copo com licor e brindaram. Em seguida ela adormeceu e ele saiu pela janela.

Tinha colocado um pouco de ópio na bebida da esposa e assim caminhou para à praia sozinho. Mas a verdade era que um vulto o seguia. O lugar para qual Jorge se adiantava era marcado por inúmeros suicídios, iam ali muitos para encerrarem sua vida. E naquela noite não foi diferente. Sim, Jorge fora até lá para cometer o suicídio, mas um homem acabara de concretizá-lo. O homem que acabara de suicidar-se atirara contra a própria face, tornando-se irreconhecível. Por alguns instantes Jorge tomou coragem para fazer o mesmo e quando estava pronto para acabar com sua vida foi interrompido pelo Sr. Almeida que o seguira.

Ele, ao ouvir do jovem que tinha descoberto uma solução, deduzira que tentaria se matar e assim certificou-se de passar a noite vigiando-o para impedir-lhe de qualquer atitude errada.

Sabiamente ele apresentou uma solução a Jorge. Que ele colocasse naquele cadáver um bilhete de despedida se passando por ele e que assumisse dali para frente uma nova identidade e assim lutasse para limpar o nome do pai e posteriormente renascesse como Jorge e assim com a honra livre.

Jorge aceitou o conselho. Atirou para que o corpo fosse descoberto – já que o finado usara de uma espécie de silenciador – e com a ajuda de Sr. Almeida arrumou um novo documento e embarcou para os EUA, onde adquiriu parte do dinheiro que lhe era necessário. Depois voltou ao Brasil, onde terminou de quitar parte das dívidas, as quais o Sr. Almeida havia se tornado credor.

Durante tudo isso passaram-se cinco anos, nos quais Carolina se prendeu em um luto e na lembrança do marido sem se permitir novos amores. Era conhecida como a viuvinha, e era uma das mais belas damas da sociedade.

Assim nesse último ano ela adquirira um admirador secreto que toda noite lhe deixava uma carta com uma rosa na janela. Desse modo a viuvinha se perdia no novo sentimento que nascia por esse vulto que toda a noite lhe deixava uma carta e também na lembrança de Jorge. 

Durantes estas noites eles viram muitas vezes a sombra um do outro. Ela que esperava na janela e ele que se aproximava. Algumas vezes ele lhe dera um beijo na mão e finalmente marcaram um encontro à meia-noite no jardim. Carolina foi vestida de branco, mas seus acessórios eram pretos e assim esperou pelo o admirador crendo que daria fim àquela situação naquela noite, voltando a cultivar apenas o amor à memória de Jorge.

Ele chegou e conversaram, perguntou se ela o amava. Porém Carolina se dividia na lembrança de Jorge. A resposta do cavalheiro foi beijá-la. E assim os dois se direcionaram ao quarto dela. Na manhã seguinte, D. Maria gritou para que a filha viesse tomar o café. E então finalmente ela e Jorge se sentaram à mesa como marido e mulher. 

Por Rebeca Cabral


SINOPSE 

A Viuvinha é um romance de autoria de José de Alencar, escritor brasileiro, publicado em 1857. A obra inclui-se entre os chamados romances urbanos, que retratam os costumes da sociedade carioca do Segundo Reinado. Jorge, um jovem que herdara uma boa fortuna do pai, planeja casar-se com Carolina, uma bela moça que conhecera na igreja. Um dia antes do casamento, porém, ele descobre que a empresa do pai estava falida, em função dos gastos demedidos do rapaz. O suicídio lhe parece a única solução, e a graciosa Carolina é deixada viúva no dia seguinte ao seu próprio casamento.


SOBRE O LIVRO

A viuvinha foi publicado em 1857 e pertence à linha urbana dos romances de José de Alencar. A ação transcorre no Rio de Janeiro e tem como personagens centrais dois jovens apaixonados, Jorge e Carolina. Jorge era um rapaz rico, herdeiro de uma grande fortuna deixada pelo pai. 

Mas, ao tomar posse da riqueza, não sabe administrá-la e perde tudo em jogos e diversões. Quando vem a conhecer Carolina, de quem fica noivo, está falido e deve muito dinheiro a várias pessoas. Aí começa seu drama. Se romper o noivado, deixará Carolina em má situação, com a reputação manchada. Casando-se com ela, vai arrastá-la à pobreza, tornando-a infeliz. Como resolver esse impasse? Ele então resolve casar-se e suicidar-se em seguida. Na noite de núpcias, dá a Carolina uma bebida que a faz cair num sono profundo e vai embora de casa, intentando suicidar-se numa praia deserta. 

Nesse momento, a história sofre um corte e o leitor se vê transportado cinco anos à frente. Vemos um jovem chamado Carlos às voltas com negócios financeiros e ficamos sabendo que Carolina é uma jovem viuvinha que vive reclusa em sua casa, ao lado da mãe. Um admirador secreto aproxima-se de Carolina e coloca todas as noites uma flor em sua janela. Ela começa a se sentir apaixonada por ele, mas, fiel ao primeiro amor, recusa admitir essa paixão. 

Enquanto isso, o leitor descobre que Carlos é Jorge, que, deixando crescer a barba e adotando um nome falso, esforça-se duramente para resgatar as dívidas contraídas de solteiro e assim recuperar sua honra. Tudo caminha para um desfecho feliz. Auxiliado pelo senhor Almeida, um velho e fiel empregado de seu pai, Carlos finalmente se recupera, volta a ser Jorge, e declara sua verdadeira identidade à jovem viuvinha (era ele o admirador secreto), reatando o amor que os unira alguns anos antes.


SOBRE O AUTOR
José de Alencar

Nasceu em 1829, no Ceará, e faleceu no Rio de Janeiro, em 1877, onde passou a maior parte de sua vida. Formado em Direito, participou ativamente da vida política nacional. Paralelamente à vida política, dedicou-se com entusiasmo à literatura e ao jornalismo. Escreveu crônicas, crítica literária, peças de teatro, mas destacou-se, mesmo, como o autor mais importante do nosso Romantismo.