VISUALIZAÇÕES

18 janeiro 2016

Poema: "Epigrama para Emílio Moura", de Carlos Drummond de Andrade.

EPIGRAMA PARA EMÍLIO MOURA

Tristeza de ver a tarde cair
como cai uma folha.
(No Brasil não há outono
mas as folhas caem.)

Tristeza de comprar um beijo
como quem compra jornal.
Os que amam sem amor
não terão o reino dos céus.

Tristeza de guardar um segredo
que todos sabem
e não contar a ninguém
(que esta vida não presta).


(Alguma poesia (1930), de Carlos Drummond de Andrade.)