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23 janeiro 2016

Poema: "Nova canção do exílio", de Carlos Drummond de Andrade.

NOVA CANÇÃO DO EXÍLIO 

A Josué Montello

Um sabiá
na palmeira, longe.
Estas aves cantam
um outro canto.

O céu cintila
sobre flores úmidas.
Vozes na mata,
e o maior amor.

Só, na noite,
seria feliz:
um sabiá,
na palmeira, longe.

Onde é tudo belo
e fantástico,
só, na noite,
seria feliz.
(Um sabiá,
na palmeira, longe.)

Ainda um grito de vida e
voltar
para onde é tudo belo
e fantástico:
a palmeira, o sabiá,
o longe.

(A rosa do povo (1945), de Carlos Drummond de Andrade.)