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26 fevereiro 2016

Poema: "Memória", de Carlos Drummond de Andrade.



MEMÓRIA

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.


(Claro enigma (1951), de Carlos Drummond de Andrade.)